segunda-feira, 23 de novembro de 2009

A minha cabeça, quando acordo…


José Ramos – lembranças e amnésias (mais ou menos), projectos… e filosofias, após noites descansadas… mas, por vezes, não.

Avintes, 22 de Novembro

Ontem o dia esteve chato e cheguei às 10 da noite cansado (de quê?) e com areia nos olhos.
Fui p’ra cama a essa hora.
(Como, há muitos anos, utilizo um ventilador durante a noite, o teor de oxigénio no sangue vai sendo compensado e começo a ficar confortável.)
Após a noite bem dormida, “na cabeça” trazia a lembrança ténue de um facto ocorrido quando eu tinha, talvez, uns quatro/cinco anos.

Terá sido a primeira foto.
Minha mãe pegava em mim para me colocar sentado sobre uma pequena mesa, recomendando-me no meu léxico de então, postura bonita, pose, ao que eu reagia tentando esgueirar-me e fazendo “trombas” de menino mal disposto, se calhar, por não perceber ao que ia.
Já vencido, minha mãe passou-me novamente o pente no cabelo e recomendou ao fotógrafo que me pusesse bonito na foto, pois eu “era” muito feio e trombudo.
(Aquele “era” marcou-me por muitos anos e, junto a outros factores, determinou alguma timidez e afastamento das outras crianças. Até que o discernimento me fez compreender que para qualquer mãe, especialmente para a minha o “era” só podia significar “estava naquele momento”).
E o fotógrafo lá colheu a imagem na máquina de caixote.

Antes tinha feito os preparativos todos, com o ritual aparentemente complicado, como convinha. Agora chama-se “marketing”.
Fixei dois passos, que hoje percebo: a colocação da chapa com nitrato de prata e os cuidados para esta não apanhar luz, o que era conseguido com a utilização de um pano escuro que em momentos cobria a máquina, mãos e cabeça do fotógrafo; e o enorme clarão que se seguiu ao “olha o passarinho” que provavelmente terá dito, como era costume.

Essa foto, tive-a nas mãos há uns anos. Procurei-a hoje e não a encontrei. Oxalá a ache.
Se minhas filhas ou netos a encontrarem perceberão, pela “tromba”, de quem se trata.

Avintes, 23 de Novembro

Afinal encontrei, entre centenas de fotografias antigas que recebi e que ainda não estão organizadas, aquela a que me referi.



Parece-me que os traços fisionómicos se mantiveram, agora com as alterações determinadas pelos anos de vida intensa.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Gotan Project

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Duas visões da mesma música




sábado, 14 de novembro de 2009

O Verão com os netos

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As condições climatéricas andam muito adversas e fazem-nos andar acabrunhados, tristes, para não falar em dores nas costas, nas ancas ou no peito. Estas consomem-me a cabeça e só descanso ao ter a certeza que não é o coração a falhar mais uma vez. Dantes, às dores, chamava reumatismo e passavam com comprimidos, um ou dois dias. Agora é o "reumático" e só alivia depois de três semanitas de termas. Mas... alivia! E bem... para já...



Também tenho um remédio, francamente bom, que me faz levantar o humor e que, apesar de toda a gente saber, não me inibo de o mencionar. Pois, ao fazê-lo, estou a fazer tratamento. É pensar nos netos, e nos momentos bons que temos tido com eles.




Estas fotos do último verão, são referentes à limpeza que fizeram, com os pais, aos lagos que retêm a água da levada, antes de esta passar pela queda. Que liberdade! Que felicidade!



Moral: quando os avós se sentirem em baixo, tomem duas ou mais medidas de convívio simpático e afectuoso com os seus netos. Esta prescrição, quando o remédio aconselhado não está disponível, pode ser substituida pelo visionemento de fotos ou outro material adequado que recorde os bons momentos passados com eles.

sábado, 31 de outubro de 2009

Juizinho, quando chegas?


Recebi esta imagem num dos mails que circulam e não se conhece a origem. Acho este texto, com 2064 anos, sempre muito oportuno, especialmente agora.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Miranda do Douro

Zona pedonal























Castelo e porta de entrada na Sé



Passámos alguns dias (a Milau e eu) nessa agradável e já, por nós, conhecida cidade, tendo calcorreado variadas vezes as ruas da zona histórica e visitando novamente os seus pontos de interesse.


Nunca feita antes foi a deslocação de barco pelo Douro internacional, com as explicações sobre a flora e fauna nele existentes, com espécies raras e até únicas. A viagem foi realizada com as devidas precauções para não degradar a pureza do ambiente. Experiência enriquecedora.



Numa saída a Espanha, fomos visitar em Salamanca o Convento Dominicano de Santo Estêvão. Obra belíssima, de autêntica filigrana em pedra, no estilo plateresco, exclusivo do renascimento espanhol, que funde componentes do mudejar e do gótico.





terça-feira, 21 de julho de 2009

Férias na quinta


Regressado de Pontevedra e depois de ter posto em ordem o que é costume após uma saída, aqui estou de novo, desejoso por colocar em marcha ideias que lá me surgiram ao observar as técnicas demonstradas pelos artistas convidados, Sílvia Zotta e Rafa Perez. Mas será assunto para mais tarde e em outro blogue.



A Milau e eu estamos felizes por termos cá, connosco, a passar alguns dias de descanso a nossa filha Graça e seu marido Carlos (que estimamos como filho também), para além da sua filha e nossa neta Ana que, por sua vez, trouxe a amiga Laura.
Também veio o Alvin (pássaro agapórnis) e o Kiko (caõzinho shih tzu) que aumentaram o potencial de animais mais ou menos domésticos, já existentes na quinta.

Ana e Carlos, ao fundo. Laura nadando.


A casa está mais cheia de tudo, pessoas e pratos à mesa, mais respiração e movimento, todas as camas ocupadas, piscina nas suas funções, ajudas e colaboração nos trabalhos aumentados. Enfim, o fervilhar de vida que, de há uns anos para cá, estava diminuindo, voltou e está a dar-nos imensa alegria.

domingo, 12 de julho de 2009

Aqui está-se bem, mas...


Bem-estar é o que sinto, quase sempre, quando aqui estou na quinta.
Excluindo a contrariedade de um ou outro raro momento menos positivo nos trabalhos ou nos contactos, fico bem com a despreocupação de formalismos, com a aragem fresca na cabeça que apaga alguma dor ou amargo de boca, com os sons relaxantes da água a cair e a correr na levada, para além de barulhos, não ruídos, dos animais, sejam eles pequenas abelhas e zângãos ou sejam as galinhas, os gatos e o “Nero”, passando pelo “pio” nocturno dos sapos e das aves que dormem de dia.


Passaria, facilmente para referências agradáveis ao verde das folhagens, mais dourado ou mais escuro conforme o sol e a sombra, ao cheiro da terra, das flores, dos frutos… e não acabaria …


Mas…embora sejam tamanhas tais belezas, sinto-me melhor se as entremear com um vagueio pelas linguagens da arte.

Desde criança que me sinto atraído pela plasticidade dos materiais e que os tenho manipulado com o saber que consigo, para obter resultados. Nos últimos anos tenho-me dedicado à cerâmica e procurado conhecimentos através das mais diversas formas, incluindo o contacto com artistas e a frequência de cursos da especialidade.

É o que vai acontecer amanhã. Parto por uma semana em Pontevedra onde vou ter o privilégio de aprender, trabalhando com a italiana SÍLVIA ZOTTA e o espanhol RAFA PEREZ, ambos personagens reconhecidíssimas da cerâmica contemporânea internacional, com prémios e honras de nível mundial.


Alguma ansiedade e avidez de aprendizagem estão a permitir que largue por uns dias o belo bucolismo que apregoei no início deste texto.